domingo, 16 de novembro de 2008

DIA 15/11 - UM MOMENTO GRANDE DA NOSSA LUTA



Este dia 15 de Novembro vai ficar, para nós, como um marco importante. Em circunstâncias muito difíceis – oito dias após a maior manifestação de sempre de professores em Portugal –, conseguimos atrair novamente às ruas de Lisboa um número muito significativo de professores, que terá estado entre os 10 e os 20 mil. Deslocando-se pelos seus próprios meios, de forma autónoma e sem o enquadramento dos sindicatos, os muitos professores que hoje afluíram ao Marquês de Pombal para se deslocarem depois à casa da democracia em S. Bento deram mostras de não estarem dispostos a ceder um milímetro nas suas reivindicações essenciais. Uns vieram de Barcelos e de Famalicão, outros de Aveiro, do Entroncamento, de Leiria, das Caldas da Rainha, de Almada, da Amadora e de Sintra e de muitas outras regiões que não conseguimos enumerar. O sacrifício que muitos professores hoje fizeram para integrar a manifestação revela que a classe docente continua muito determinada e que não vai ceder perante a prepotência da ministra. Esta manifestação quis deixar bem clara essa mensagem. Quis também dar um contributo para o grande movimento de resistência que está a ser desenvolvido nas escolas, sendo que estas são o espaço natural onde, nos tempos que se avizinham, o combate mais duro e mais exigente dos professores terá de ser travado.
Outra ideia veiculada pela manifestação é a de que começam a estar criadas as condições para que os professores subam mais alto a fasquia das suas exigências e focalizem a luta, não apenas no modelo de avaliação, mas no próprio Estatuto da Carreira Docente, matriz de quase todas as políticas acintosamente negativas que se abatem actualmente sobre as escolas. Temos de ser capazes de anular, de forma definitiva e irreversível, o absurdo de dividir entre «titulares» e «não titulares» professores que realizam, essencialmente, o mesmo tipo de funções nas suas escolas.
Uma delegação de membros da APEDE e do MUP foi, a seguir à manifestação, recebida por representantes dos grupos parlamentares do PSD, do CDS/PP e do Bloco de Esquerda, aos quais expôs muitos dos pormenores escabrosos do actual modelo de avaliação do desempenho, as condições de trabalho intoleráveis com que os professores hoje se debatem e as perspectivas da luta dos professores num futuro próximo. Entregámos também aos referidos grupos parlamentares uma Declaração de Princípios e de Exigências assinada conjuntamente pela APEDE e pelo MUP.
Estamos todos de parabéns. Estão de parabéns os movimentos independentes, APEDE e MUP, que em boa hora decidiram legalizar e organizar a manifestação, mas também merecem crédito aqueles que a ela se associaram e que não lhe regatearam o seu apoio – MEP, Promova, Comissão em Defesa da Escola Pública. Mas estão, sobretudo, de parabéns os muitos professores que, de norte a sul do país, acorreram a Lisboa de modo espontâneo e auto-organizado. A presença deles, a sua determinação, dá-nos esperança de que saberemos levar a bom porto a luta justíssima que os professores estão a travar.

7 comentários:

Anónimo disse...

Eu também estive lá.
Quando é a próxima?

Anónimo disse...

Com certeza.

Ni disse...

E os resultados do encontro final com os grupos parlamentares? Valeu a pena? Gostaríamos que fosse partilhado connosco o teor da conversa. E agora? Não ficamos por aqui, pois não?? A ministra diz que "suspender o processo de avaliação seria uma vergonha". Pois...e para os professores, suspender o processo de luta contra a avaliação, não é uma vergonha, é uma coisa impensável! Força, colegas!

Anónimo disse...

Já alguém tentou obter um comentário a MLR sobre o Estatuto da Carreira Doente na Madeira ?
Porque carga de água somos professores diferentes dos professores da Madeira ?
Que alguém faça uma comparação entre o ECD do Continente com o ECD da Madeira e trata as conclusões aqui para o blogue.

Filipe

Anónimo disse...

( comentário que deixei no P.G.)

15 de Novembro! Cheguei! A emoção vivida neste dia foi diferente! Teve a força daqueles que ultrapassaram os seus próprios medos e receios e foram à luta, apesar de desconhecerem se haveria outros com forças e coragem para sacrificar um Sábado, a seguir a outro Sábado! Fomos à luta sem saber se íamos sozinhos, se dois …se dez…se mil! Mas fomos! Fomos pela convicção da nossa razão! Fomos pela urgência da nossa luta! Fomos porque sabemos, depois de tudo o que já passámos, que não podemos agora desistir! Agora, é que não podemos, mesmo, desistir! E fomos muitos, muitos mil! Apesar de todas as tentativas para desmobilizar quem não consegue já calar a revolta, conseguimos vencer e fazer, mais uma vez, ouvir a nossa voz que levava também a mensagem de muitos outros que não puderam estar presentes! 15000, 20000mil professores presentes numa manifestação organizada, bem organizada, pelos Movimentos Cívicos de Professores com a colaboração, certamente, de milhares de professores anónimos que, por esse país fora, não têm poupado esforços para fazer passar a nova mensagem! Um novo discurso! Um discurso de Professores dirigido a Professores! Um discurso partilhado e sentido na pele por todos! Um discurso cúmplice de quem fala com base nas vivências de todos os dias! 15000 a 20000 mil professores unidos contra a actual política educativa, mas sentindo em cada olhar a cumplicidade afectiva de quem sabe que é preciso coragem para arriscar, para ultrapassar obstáculos, para vencer medos, para enfrentar poderes instalados! É que sem medo, não há coragem! Mas conseguimos! E se ainda não ganhámos a guerra contra MLR, ganhámos, seguramente, a certeza de que somos capazes de nos organizar, de ir pelo nosso próprio pé e de lutar por aquilo que queremos e em que acreditamos! 15000 a 20000 mil professores são muitos professores! São muitos mais professores do que os associados de alguns sindicatos que se dizem nossos representantes legítimos, que têm assento na Plataforma e no ME e que assinam documentos que violam a vontade dos professores e os amarram a compromissos que os professores rejeitam desde sempre! Quero, por isso, dar os Parabéns a todos os professores que estiveram presentes, mas também a todos aqueles que, não estando, se disseram solidários e nos transmitiram a sua força pela causa que é comum! Quero dar os Parabéns a todos os bloggers que têm dado um contributo decisivo para esta mudança de atitude, de coragem e de empenhamento dos professores! E, nesta casa, obviamente, os Parabéns ao Paulo Guinote! E quero, sobretudo, dar os Parabéns aos Movimentos Cívicos de Professores que têm dado um exemplo de determinação, de civismo, de bom-senso, de trabalho! Têm sido, realmente, incansáveis e, sem eles, tudo estaria parado até, pelo menos, Março de 2009! São eles que hoje marcam a agenda de todas as nossas reivindicações, fazendo eco da voz dos professores e obrigando, com isso, os sindicatos e MLR a agir e a procurar novos caminhos! E porque não queremos ver a Plataforma inactiva como ficou desde Abril de 2008, e porque queremos ver MLR a reconhecer que afinal o sistema é, de facto, complex, e que terá de o substituir, continuemos, com determinação a nossa luta junto de todos aqueles que, sem dúvida, estão do nosso lado: os Professores!

LuisM

Safira disse...

Parabéns Ricardo! A manifestação foi genuína, muito emotiva. Vamos continuar a luta e não dar descanso à ministra.

Abraço solidário,

Safira

Anónimo disse...

Bem, tal como os alunos, não se pode baixar os braços. É necessário cerrar fileiras e deixar bem claro que os professores não querem este ECD e a divisão da carreira dos professores.
Tal como os alunos, também nós professores temos agora (mais que nunca) que lutar pela revogação do ECD feita por este Ministério.

Filipe

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