quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Suspensão do modelo de avaliação está a dividir professores

O secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, João Dias da Silva, rejeitou ontem, ao PÚBLICO, as críticas de três movimentos independentes de professores, que acusam a FNE de estar a promover a entrega, pelos docentes, dos objectivos individuais, apresentada pelo Ministério da Educação (ME) como a primeira etapa da avaliação de desempenho.

Em comunicado, a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), o Movimento Escola Pública (MEP) e o Promova dão conta de que, nos últimos dias, "diversos professores que contactaram os serviços da FNE, colocando questões sobre a não entrega dos objectivos individuais, obtiveram como resposta um discurso intimidatório e desmobilizador". Aqueles movimentos lembram que a FNE subscreveu, em conjunto com todos os sindicatos que integram a Plataforma Sindical de Professores, "um apelo para que os professores se recusassem a entregar os objectivos individuais como forma de lutar pela suspensão integral do modelo de avaliação de desempenho".

Dias da Silva garante que continua a ser esta a posição da FNE e que as acusações feitas dão conta de informações que "não correspondem às orientações estabelecidas". "Todos os mecanismos de protesto legítimos contra esta avaliação injusta têm o nosso apoio", insistiu.

A pedido dos sindicatos, a estrutura da carreira docente e o modelo de avaliação estão a ser objecto de novas negociações com o ME. No final de Janeiro, o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, começou a referir a "abertura" demonstrada pela FNE por contraponto à "intransigência" da outra grande associação do sector, a Federação Nacional de Professores (Fenprof).

As declarações de Pedreira tiveram origem na disponibilidade da FNE em aceitar uma "avaliação extraordinária" na passagem do 6.º para o 7.º escalão e valeram à FNE um coro de acusações, sobretudos nos blogues de professores. Ontem, Dias da Silva reafirmou que a federação não desiste de "exigir o fim da divisão da carreira docente em duas categorias e a existência de vagas de acesso aos escalões mais elevados". Já sobre a presença na Plataforma Sindical indicou: "Havendo circunstâncias que façam com que as organizações tenham que se juntar, não pomos em causa". A próxima acção de rua, um cordão humano a realizar em Lisboa no próximo dia 7, foi só convocado pela Fenprof, que hoje entregará em tribunal a primeira de três providências cautelares contra a avaliação.

8 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns colegas pelo comunicado certeiro e pela denúncia de uma situação realmente revoltante.
Afinal andamos aqui a fazer figura de parvos, todos aqueles que resistiram e não entregaram os OI? É isso que a FNE pensa?
O Dias da Silva já está arrasca, descobriram-lhe a careca e agora é o Deus nos acuda!
Só espero que com isto tenha mais cuidado e não vá trair a luta, como já se devia estar a preparar para fazer.
E os movimentos continuam a provar a importância da sua existência.
Bem hajam colegas.

Anónimo disse...

São 1300 escolas/agrupamentos. Só em cerca de 150 é que existem professores a não entregar os OI? É que isso dá os tais 10 000 professores a não entregar... ou seja uns 7,5%.... e ainda acham que a luta continua???

Anónimo disse...

E eu continuo a achar que uma ORDEM DE PROFESSORES nos faz muita falta.
Se bem me lembro, FNE é perito em teraições.... Lembram-se do tempo da Manuela Teixeira? E mais, este senhor vai-nos trai mais uma vez. Caso isso aconteça todos os professores desse sindicatam devem entregar o cartão de sócio.

Joaquim Ferreira disse...

AFINAL... PENSEI QUE SÓ DO MINISTÉRIO SAÍAM MENTIRAS... PARECE QUE HÁ GENTE FORA DO MINISTÉRIO A FAZER AUTÊNTICO TERRORISMO VERBAL... COM QUE INTERESSES, PERGUNTAMOS NÓS... De facto, só mesmo por brincadeira alguém poderia um dia fazer uma afirmação destas. Parece incrível mas chego à TRISTE conclusão de que alguém anda interessado em destruir a unidade dos professores. Na verdade, questiono-me seriamente sobre a utilidade da existência destes "três movimentos" que se dizem "independentes" como se os outros fossem dependentes. Com efeito, a FNE, não depende de nenhum partido. trem no seu seio dirigentes de vários partidos, alguns dos quais que já estiveram e outros que estão neste momento. MAS... de uma coisa os professores podem ter a certeza: o PARTIDO DOS SINDICALISTAS DA FNE sempre foi e será o PDP... isto é, o "PARTIDO DOS PROFESSORES". A defesa intransigente dos seus interesses legítimos e da Educação em POrtugal. Quanto à acusação de que a FNE possa algum dia "promover a entrega, pelos docentes, dos objectivos individuais" só mesmo de mau gosto e/ou por brincadeira, pois acreditamos que todos os professores sabem ler e ouvir. Basta que qualquer professor ou jornalista entre no Sítio da FNE (www.fne.pt) para concluir que é um AUTÊNTICO E DESCABIDO ABSURDO. Enfim. Quem são estes independentes que brincam com a seriedade de centenas de professores?

Ricardo Silva disse...

Caro Joaquim Ferreira:

Um dos independentes sou eu: sem filiação sindical ou partidária. Na luta de corpo e alma, desde sempre e com coerência total. Na APEDE desde a primeira hora. Estive em todos os momentos e iniciativas de luta. Estive em diversos plenários e escolas, em RGP's, em debates, em encontros.
Sou professor há 20 anos, 18 na mesma escola. Lecciono 7 turmas de História este ano e sou dt.
Testemunhei directamente, de viva voz, e não fui eu apenas eu, mais colegas o fizeram, tudo aquilo que está escrito no comunicado dos movimentos! Não se trata de boato, de rumores, do "ouvi dizer que", ou "consta que". São factos, concretos, reais. Há nomes, horas e dias de contacto. Tudo o que for necessário. Não há qualquer tipo de leviandade ou menor seriedade neste comunicado dos movimentos. Há apenas factos. E desafiamos quem quer que seja, incluíndo o prof. Dias da Silva, a desmentir-nos. Ele sabe que não pode. Ele sabe que falamos verdade. E é assim, nesta postura firme, determinada, consciente, coerente e responsável que os movimentos independentes de professores se mantêm na luta. É é mesmo daí que vem a nossa força, somos apenas professores, nada mais queremos a não ser melhores condições de trabalho, o respeito pela nossa dignidade profissional, a valorização da nossa função social e um edifício legislativo nas diversas matérias que envolvem o exercício da nossa actividade que seja sério, correcto, adequado, exequível, justo e rigoroso!
Não adianta caro Joaquim Ferreira, não adianta essa tentativa de atirar lama para cima dos colegas que estão nos movimentos independentes, não conseguirão demover-nos, não conseguirão desmobilizar-nos, NÃO PASSARÃO!
A nossa luta é a luta de quem, dia-a-dia, na sala de professores e nas escolas luta contra o monstro! Convençam-se disso! Habituem-se, estamos mesmo cá! E que não haja traições à luta! Saberemos denunciá-las!

Ricardo Silva (membro da direcção da APEDE)

Ricardo Silva disse...

Dia 14 de Março, 10h-17h

Teatro José Lúcio da Silva, Leiria

ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES EM LUTA!

Organização: Movimentos Independentes de Professores.

Porque a luta continua, o monstro não morreu, e há muitos que resistem!

Abraço solidário

Ricardo Silva (APEDE)

P.S. Em breve daremos mais pormenores sobre o Encontro.

Ricardo Silva disse...

Caro Joaquim Ferreira,

Uma última e decisiva nota:

Já leu, por acaso, a página 12 do Diário de Notícias de hoje, dia 26 de Fevereiro? Aí poderá encontrar as declarações do secretário-geral da FNE, prof. Dias da Silva, a assumir o erro! Preto no branco. Que fique claro: o comunicado dos movimentos independentes dizia a verdade e apenas a verdade! Para que conste! Gostava de o ver agora a apresentar as suas desculpas face ao comentário que produziu acima. Afinal... o "autêntico e descabido absurdo" foi real. Daqui em diante habitue-se a procurar melhor informação antes de produzir comentários injuriosos.

Safira disse...

O (des)governo decidiu meter-se com os médicos. Vem aí a avaliação do desempenho dos médicos.

O sindicato deles já se pronunciou e a Ordem dos Médicos também. Eles disseram que NÃO QUEREM uma avaliação igual à dos professores, mas não se importamde ser avaliados desde que essa avaliação se faça na componente científica médica.

Ora nós professores tb não nos importamos de ser avaliados (sempre fomos), desde que a avaliação se centre na componente científico-pedagógico. Não é assim?

Um abraço :)

Safira

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