
Passa-se, assim, uma esponja pelas responsabilidades que se têm vindo a acumular no sistema de ensino em Portugal e que poucos nomeiam:
a difusão de uma ideologia pedagógica, defendida com unhas e dentes pelos dirigentes políticos do Ministério da Educação, que tem fomentado o facilitismo e o analfabetismo funcional nas últimas décadas;
o esvaziamento do papel do professor enquanto transmissor de conhecimentos e a sua ocupação com pesadas tarefas burocráticas que o afastam, cada vez mais, da essência da sua profissão;
a vulnerabilidade e a crescente insignificância da escola face a uma cultura mediática embrutecedora e estupidificante.
Diga-se, para terminar este ponto, que o segundo parágrafo do relatório da OCDE é um puro e simples insulto aos professores deste país que têm estado, durante estes dois últimos anos lectivos, a combater um modelo de avaliação incompetente e iníquo. No entender dos autores do relatório, essa luta, afinal, reflecte apenas uma «natural resistência à mudança» e a meras «dificuldades em operacionalizar [já cá faltava o palavrão da ordem] um modelo abrangente dentro de um curto espaço de tempo». Curiosamente, esse parágrafo trai as verdadeiras intenções do modelo de avaliação, quando liga este último à domesticação geral dos trabalhadores da função pública. Pois: é isso que, de facto, está em causa.
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